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A luta pelo título entre Nico Rosberg e Lewis Hamilton não é a única fonte de interesse no Brasil este fim de semana – de facto muita da atenção tem estado virada para o Ferrari de Sebastian Vettel e o Red Bull de Max Verstappen, que protagonizaram um dramático final de Grande Prémio do México. De acordo com Vettel, no entanto, faz tudo parte do passado – o que significa que o seu foco está agora nas últimas duas oportunidades de chegar à vitória em 2016.

P: Sebastian, passaram duas semanas desde o México mas os acontecimentos continuam a ser debatidos no paddock. Digeriste tudo o que aconteceu – e o teu ponto de vista mudou de alguma forma?

Sebastian Vettel: Está digerido, pois agora estamos aqui no Brasil a preparar-nos para um novo fim de semana. Mas sim, a penalização foi bastante dolorosa, já que perdemos a terceira posição.

P: Há alguma mudança na tua relação com o Max Verstappen?

SV: Tenho falado com ele depois do que aconteceu. É óbvio que em situações como esta há sempre dois lados, mas eu diria que nós fomos capazes de ultrapassar qualquer fricção por isso não tenho qualquer problema com ele.

P: Telefonaste-lhe?

SV: Sim.

P: E quanto ao problema do rádio? O Max já disse antes da corrida do México que se ia tornar “sensato” e reduzir a sua conversação para simplesmente “sim, não e tudo bem”. E quanto a ti?

SV: Eu diria que aprendi a minha lição. É uma questão que devia ser debatida – se os ataques emocionais em situação de corrida deviam ser transmitidos ou não. Suponho que no futuro vai haver muito menos conversa!

P: Como descreverias o estilo de condução do Max?

SV: Não nos podemos esquecer que ele está a fazer um trabalho fantástico tendo em conta a sua idade. Por isso é normal que ainda tenha muito para aprender.

P: Depois de todas as discussões sobre estilos de condução e penalizações, dirias que também tens de adaptar o teu estilo de condução? 

SV: Não, não me parece. A penalização foi cruel e claro que não estou satisfeito, pois não acredito que a tenha merecido. Eu estava a defender a posição como sempre faço por isso não havia nada naquela situação que se destacasse relativamente às muitas outras que aconteceram em corridas anteriores. Por isso o resultado – ser subitamente chamado ao pódio e horas depois ser relegado para quinto – não foi um momento feliz. Mas agora é um novo fim de semana e vamos focar-nos nisso.

P: O quão importante foi para ti pedir desculpa ao diretor de corrida da FIA, Charlie Whiting?

SV: Bem, acho que toda a gente pode imaginar o que se estava a passar na minha cabeça nesse mesmo momento – que o Max manteve a sua posição – por isso mesmo que eu tenha mencionado o Charlie, era mais com a situação que eu estava realmente chateado. Por isso o mais natural é pedir desculpa e estou feliz por ele ter aceitado.

P: Não há muitos mais desportos em que o público pode seguir as instruções dos jogadores. Com a Fórmula 1, os fãs ouvem os seus heróis – mais é complicado quando algumas comunicações são questionáveis. A F1 devia repensar o acesso dos pilotos ao rádio?

SV: Imagino que os fãs gostem quando podem testemunhar o seu piloto a dar o máximo – mas também podes ultrapassar os limites quando tudo corre mal. Imagino que muitas das conversações entre os jogadores de futebol não fossem apropriadas para a televisão – mas obviamente na F1 é diferente. Claro que aprendes com uma experiência como esta.

P: Interlagos é, em muitos aspetos, é um circuito muito especial. Como alguém que já teve os seus momentos aqui no passado, como descreverias a pista?

SV: É uma písta fantástica com todos os altos e baixos – e com uma tendência clara para o drama. Sei do que estou a falar! (risos) Estou mesmo ansioso para voltar a corrida aqui.

P: Vai ser novamente uma luta feroz entre o Nico Rosberg e o Lewis Hamilton. Como é não fazer parte dessa luta pelo título pelo terceiro ano consecutivo? E vai isso mudar em 2017?

SV: Temos claramente expectativas em ter uma palavra a dizer na decisão do título de 2017. Infelizmente este não foi o nosso ano, mas nas próximas duas corridas queremos mostrar ao mundo e especialmente aos nossos fãs que somos uns verdadeiros lutadores e que damos tudo o que temos.

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